História da Flauta Doce

História da Flauta Doce

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Muitas pessoas tem curiosidade de saber algum aspecto da história da flauta doce. A flauta doce é um instrumento musical que representa um avanço tecnológico de séculos!

Hoje em dia, falamos sobre tecnologia como algo ligado aos computadores e aos códigos. Mas , a maioria de nós sabe que os avanços tecnológicos acontecem desde a Idade da Pedra, não é mesmo?

Então, vamos refletir sobre o papel da tecnologia para adequar os instrumentos musicais às necessidades criativas dos músicos?

Introdução

A flauta doce como conhecemos hoje é o resultado de um desenvolvimento no decorrer de séculos e abrange diferentes estilos musicais, formação instrumental, sonoridade, técnica, afinação e expressão.

A visão mais comum da flauta doce é a de um instrumento para criança. Esse é um conceito que se desenvolveu a partir do século 19 por ocasião da redescoberta da flauta doce, do seu repertório e dos costumes que circundavam esse instrumento.

Por ser um instrumento de fácil transporte e a facilidade de ser produzido em larga escala, incentivou o seu uso nas escolas para a iniciação musical. Os modelos mais conhecidos atualmente são os do período Barroco e Renascentista, mas existem muitos outros, cada um para um estilo de música diferentes.

Um instrumento Europeu

O ancestral da flauta doce é um instrumento de seis furos. Três para mão direita e três para mão esquerda. Os modelos mais antigos foram encontrados em diferentes partes da Europa e já representam um período de transição da flauta de seis, pois as modificações realizadas na construção dessas flauta representam as mudanças ocorridas para o estabelecimento do instrumento tal qual o conhecemos hoje.

Naquela época o flautista podia tocar com qualquer uma das mãos na parte inferior da flauta doce. Por isso, os dois furos serviam para adequar o dedilhado à mão que se posicionasse na parte inferior da flauta doce.

Século XIV

Os modelos mais antigos encontrados são do século XVI e também conhecidas como flautas doce medievais. São elas: Dordrecht, Tartu, Essler e Esslinger representando uma transição da flauta de seis furos

A maioria delas foi encontrada e latrinas e tem algumas mudanças que não aconteceram antes do fim do século XIV,.

Dordrecht flauta holandesa

Dordrecht

Ao lado vemos um modelo de flauta doce que remonta ao século 14. Conhecido como Dordrecht por ter sido encontrada na cidade de Dordrecht, na Holanda. Atualmente se encontra no Museu de Dordrecht.

O dois furos na parte inferior da flauta doce servem para aumentar a quantidade de notas e aumentar a expressão

Flauta doce Tartu

Tartu

Já aqui, você vê um exemplo da flauta doce Tartu que leva esse nome porque foi encontrada na cidade de Tartu, na Estônia.

Século XV e XVI

História da Flauta Doce

As flautas começaram a ser feitas com o formato cilíndrico e com algumas modificações. Nesse período não havia uma percepção musical de melodia acompanhada, algo como voz e violão, por exemplo.

Na Renascença a estrutura musical era polifônica e não harmônica. Isso fazia com que várias melodias fossem tocadas de forma simultânea. Por exemplo, a flauta doce “imitava” a melodia da voz e por isso, diferentes tamanhos de flauta doce foram construídas para melhor representar as vozes masculina e feminina.

Classificação vocal e as flautas doce

A voz humana é dividida em soprano, contralto, tenor e baixo. As flautas doce desse período também seguem essa classificação formando o que chamamos de família da flauta doce. Temos a flauta doce soprano, contralto, tenor e baixo.

Outras flautas como a sopranino, a garklein, a contrabaixo eram usadas para adicionar “colorido’ e versatilidade aos arranjos instrumentais.

Abaixo temos uma ilustração antiga da família da flauta doce e os grupos musicais de flauta doce eram conhecidos como consortes (consort)

família de flautas doce

Flauta Doce Pretorius

Séculos XVII e XVIII

História da Flauta Doce

As flautas feitas no século 17 são próprias para o período conhecido como Baixo Barroco que representa um período de transição para o desenvolvimento da flauta doce feita para interpretar solos, como é mais conhecida hoje.

Foi no período Barroco que as mudanças na estrutura musical ocorreram de forma a influenciar as mudanças na flauta doce que conhecemos hoje. Não se pode traçar com exatidão como essas mudanças ocorreram, mas uma das inovações foi redesenhar a flauta doce em 3 peças aumentando a sua extensão para 2 escalas cromáticas.

Modelo Hottetterre

Esse modelo é uma flauta doce contralto em fá que provavelmente pertencia a uma coleção de um compositor, viloncelista e colecionador de instrumentos musicais chamado Auguste Tolbecque (1830-1919).

Hottettere nasceu em 1974 e faleceu em 1763, em Paris. Ele era músico, compositor, professor e luthier. O seu tratado publicado em 1707 Princípios da Flauta Transversal, contém instruções de como tocar a flauta doce e o oboé.

Encontramos ainda variados modelos de flautas doce nesse período e alguns deles estranos para muitos até os dias atuais como é o caso da flauta doce eco e a flauta doce dupla.

Ambas tem a função de tocar piano trechos musicais fazendo contraste e aumentando as possibilidades expressivas das interpretações musicais. No caso da flauta doce dupla, alguns modelos permitem a interpretação de duas melodias ao mesmo tempos que ‘andam’ em intervalos de terça.

flauta de eco
Flauta de Eco. Opnamedatum: 2017-12-20
flauta dupla
Flauta Dupla
flauta dupla 1
Flauta Dupla

Ainda no Barroco, o uso do baixo nas músicas era essencial. Geralmente, essa parte é tocada pelo cravo, teorba, violoncelo ou viola da gamba, No entanto, há registros de que a flauta doce baixo era também usada para fazer o baixo e não somente a voz baixo em consortes de flautas doce, mas não há evidência de que isso fosse muito comum.

Século XIX

História da Flauta Doce

A flauta doce caiu em desuso por volta do século XIX. As formações orquestrais da época começava a priorizar instrumentos como a clarineta, que era novidade na época. Não que a flauta doce não pudesse ser usada, pois há modificações na flauta doce que demonstram a preocupação com sua adaptação às novidades musicais da época.

Paradoxalmente, o mesmo século que se costuma dizer que a flauta doce caiu em desuso foi o século em que se deu o seu ressurgimento.

É muito comum que flautistas doce dediquem a maior parte de seus estudos ao epertório Barroco e Renascentista. Entretanto, há registros de que a flauta doce sempre foi tocada, mesmo nos séculos XVIII e XIX, fazendo com que a ideia de que a flauta doce foi esquecida, ou considerada um instrumento “menor” durante esse período, é uma ideia que não corresponde totalmente à verdade.

Isso porque a flauta doce deixou de ser a “queridinha” do repertório, mas não que deixasse de ser tocada.

Um exemplo é a flauta Czakan que representa as modificações feitas na flauta doce para possibilitar o seu uso em músicas como as do período Romântico.

 
Czacan
Czakan
 

O Movimento Música Antiga

O ressurgimento dos instrumentos chamados “antigos” como a flauta doce, e de músicas anteriores ao século XIX, foi iniciado pelo compositor Mendelsson por ocasião de sua regência da Paixão Segundo São Mateus de Bach.

Embora a flauta doce não tenha desaparecido por completo no século XIX, houve um “gap” importante para que o repertório do período Barroco e anterior, caísse em desuso. O movimento de Música Antiga possui uma importância que não vamos entrar em detalhes aqui, pois merece atenção especial.

Mas, precisamos citar os aspectos referentes ao desenvolvimento da flauta doce durantes diversos períodos históricos.

Por isso, mencionar o movimento de Música Antiga no século XIX e início do século XX é importante, pois a maioria do que conhecemos hoje sobre a flauta doce deve-se ao esforço de muitos pioneiros na época.

Arnold Dolmetsch
Arnold Dolmetsch

 

O mais conhecido de todos, em relação a flauta doce, é Arnold Dolmetsch que construiu vários modelos de flauta doce comercializando-as em larga escala, além de desenvolver mecanismos inovadores para a flauta doce.

Naquela época as flautas de plástico começaram a surgir e algumas mudanças no dedilhado ocorreram para tentar, infrutiferamente, uma correção de afinação, simplificar o dedilhado, resultando na flauta doce germânica.

Séculos XX e XXI

História da Flauta Doce

Um dos diferenciais da flauta doce em relação a outros instrumentos de sopro é a falta de pressão na embocadura. Em outros instrumentos, a coluna de ar é controlada pela embocadura. Já na flauta doce a coluna de ar é regulada quase que totalmente pelo diafragma, fazendo com que o volume de ar tenha que ser ajustado constantemente para manter a afinação e as notas em “estourar”.

Muitos são os esforços para que a flauta doce tenha mais liberdade expressiva, mais estável na produção do som, na produção de harmônicos e na produção de sons não convencionais.

Essas “aspirações” por assim dizer, resultaram na inserção de chaves, na mudança no formato do bloco, na inserção de sensores eletrônicos para amplificação do som, entre outras inovações. Muitas vezes tocar ao ar livre é um problema para o flautista-doce, pois o vento impede que o som seja reproduzido justificando o uso de muitas dessas flautas.

Ocorre que no mundo da flauta doce, cada música deve ser tocada com o modelo de instrumento apropriado para aquele repertório de forma que as flautas doce construídas mais recentemente ficam restritas a um repertório moderno, ou àquele repertório que é alheio ao repertório original para flauta doce, como é o caso do Choro, por exemplo.

Nesses casos, não há uma flauta doce mais adequada para se tocar, cabe ao interprete escolher o instrumento.

flauta doce moderna
Flauta Doce Moderna
instrumento digital de sopro
Instrumento Digital de Sopro
flauta doce eletrônica
Flauta Doce Eletrônica (e-recorder)

Flauta Doce no Brasil

História da Flauta Doce

Em termos gerais, a flauta doce foi inserida no Brasil por volta dos anos 40 em decorrência da migração de europeus que trouxeram consigo instrumentos musicais e contribuíram para a educação musical no país.

Exemplos de alguns pioneiros são H.Tirler, Rádio MEC, Musikantiga e Quadro Cervantes. Seguindo o modelo da musicologia histórica, pesquisadores e músicos começaram a voltar-se para a música do período Colonial Brasileiro em concordância com as tendências mundiais de pesquisa na área.

Evidentemente, o movimento de Música Antiga no Brasil merece maior destaque. Por isso, esse assunto ficará para outra ocasião em razão do tema deste pequeno informativo.

 

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